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Saltos ornamentais

19/02/2016 23h34

Evento-teste

Sol forte, temporal, blecaute e classificação olímpica: saltos ornamentais têm teste real

Primeiro dia da Copa do Mundo da modalidade trouxe vários desafios à organização e aos atletas, que elogiaram o Maria Lenk. Oito vagas foram definidas em disputas de sincronizado

O primeiro dia da Copa do Mundo de Saltos Ornamentais fez valer a expressão “evento-teste”. O longo dia de competições trouxe vários desafios para organização e atletas. Nas preliminares da plataforma de 10m sincronizado feminino e do trampolim 3m sincronizado masculino, realizadas respectivamente de manhã e no início da tarde, o sol forte foi a marca. A disputa da final para as mulheres começou por volta das 18h e não demorou para a chuva chegar forte.

A competição continuou, mas as atletas não conseguiram saber o resultado pelo placar eletrônico, porque ele apagou quando faltavam os últimos três saltos. As notas foram computadas normalmente e a vitória ficou com a China. Como o país asiático já havia garantido a vaga na plataforma de 10m sincronizado no Mundial de Kazan em 2015, os quatro países que comemoraram a classificação para os Jogos foram os que ficaram de segundo a quinto na prova: Malásia, Grã-Bretanha, Estados Unidos e México, nessa ordem.

 

“Este é um evento maluco. Ninguém esperava que o tempo ficaria assim, mas ficamos em quarto lugar e conseguimos a vaga olímpica. Estamos muito felizes por estarmos aqui e termos competido bem. Temos que estar preparadas para situações inesperadas sempre. Você tem que fazer o melhor e não deixar o tempo afetar você”, disse a norte-americana Jessica Parratto, que competiu com Amy Cozad.

“A chuva atrapalha mais que o sol, mas não tenho medo de escorregar. Isso aqui já foi um treinamento para as Olimpíadas”, disse a chinesa Huixia Liu, campeã do evento-teste e do Mundial de Kazan 2015, junto com Ruolin Chen.

Uma falha no gerador fez com que parte da instalação ficasse no escuro por cerca de uma hora. De acordo com a Federação Internacional de Natação (FINA), o sistema de resultados não foi afetado pelo problema de energia. Na área de competição, o placar voltou a funcionar uma hora e meia depois. A chuva praticamente acabou e a final masculina começou pouco depois das 20h, como previsto. A vitória ficou com os alemães, seguidos por China,  México e Grã-Bretanha. Como chineses e britânicos já tinham vaga para o Rio 2016, classificaram-se Alemanha, México, Itália (5º ) e Estados Unidos (6º ).

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“As condições estavam complicadas pela chuva, e por causa disso muitos competidores se desconcentraram e acabaram cometendo um erro atrás do outro, mas conseguimos manter a concentração. Estamos muito felizes. Foi bom ter conhecido a instalação nessas condições”, disse o alemão Stephan Feck.

Na abertura oficial da Copa do Mundo, o ministro do Esporte, George Hilton, deu as boas vindas aos atletas. Ao todo, participam 217 saltadores de 46 países em busca de 88 vagas olímpicas. “Desejo a todas as delegações presentes aqui que tenhamos um excelente espetáculo, com uma competição importante, e que possamos ter muitos atletas aqui garantindo a vaga para os Jogos Olímpicos. Desejo sucesso e êxito”, disse.

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Forte chuva no fim da tarde foi um grande desafio para a organização e os atletas. Foto: Gabriel Heusi/Brasil2016.gov.br

Brasileiros

O Brasil tem vaga garantida em todas as provas olímpicas de sincronizado. Nesta sexta, não houve participação do país anfitrião na competição feminina, já que Ingrid Oliveira e Giovanna Pedroso estão voltando de lesão e decidiram priorizar as disputas individuais. Dessa forma, os únicos representantes do Brasil a saltar foram Ian Matos e Luiz Felipe Outerelo, no trampolim de 3m. Na preliminar, eles ficaram em 18º lugar, fora da final, já que se classificaram os doze melhores. Os pontos somados (341.70) ficaram bem abaixo do resultado obtido do Mundial de Kazan (370.08).

“Foi importante para sentir a piscina, o clima, a presença da torcida, para saber onde vou ficar, onde vou me localizar na hora da competição. Eu costumo falar para o Ian que quando a gente salta mal, a gente aprende mais do que quando a gente salta bem.  Acredito que agora a gente vai ter um tempo maior para se adaptar a essa piscina, a esse trampolim. A gente vai ter como treinar nesse ginásio, coisa que a gente nunca teve. Tenho certeza de que a performance vai ser melhor”, disse Luiz Felipe, que treina no Fluminense com Ian Matos.

Avaliação da FINA

A FINA informou que a falha no gerador – e também no gerador reserva – será discutida com o Rio 2016 após a competição. De acordo com a porta-voz da entidade, o diretor executivo da FINA lamentou o blecaute, mas reforçou que o evento-teste é o momento para que esse tipo de coisa aconteça. Pouco antes da chuva, Cornel Marculescu elogiou a instalação.

“O mais importante são os atletas. Se a estrutura está de acordo com o que eles precisam, se sentem confortáveis. Posso dizer neste momento que todo mundo está bem confortável, os atletas estão felizes”, disse o diretor executivo.

“A piscina, a plataforma, as superfícies das plataformas são muito boas. É minha primeira competição internacional com a Mel (Melissa Wu) e estar aqui é empolgante”, disse a australiana Brittany Brobben.  Assim como ela, vários outros atletas elogiaram o Maria Lenk em entrevista ao brasil2016.gov.br, reforçando a declaração de Cornel Marculescu.

México pelo Rio

Um impasse jurídico entre o México e a FINA por conta da desistência do país em sediar o Mundial de 2017 em Guadalajara ainda será resolvido pela Corte Arbitral do Esporte.  Enquanto isso, o México luta normalmente pelas vagas olímpicas, mas tem que competir sob a bandeira da Federação e os atletas não podem vestir a camisa de seu país. 

“Preferimos competir como México. Mas, mesmo debaixo da bandeira e do nome da Fina, seguimos mexicanos e isso ninguém pode negar. É uma situação que não está sob nosso controle. Esperamos que se resolva para podermos voltar a competir pelo México, que nos apoia, nos dá tudo e temos orgulho de sermos mexicanos”, disse o saltador Rommel Pacheco.

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Impedidos de competir sob a bandeira do México, Rommel Pacheco (E) e Jahir Ocampo homenagearam o Rio. Foto: Carol Delmazo/Brasil2016.gov.br

A opção de Rommel Pacheco e Jahir Ocampo, então, foi uma homenagem à cidade-sede dos Jogos. Com a camisa “I love Rio”, eles subiram ao pódio com o bronze no trampolim de 3m sincronizado.

“Não podíamos usar uniformes do México, então preferimos usar algo que homenageasse o Rio. Se não pode ser México, somos Brasil. Gosto muito do Brasil. Em 2007, vim aos Jogos Pan-Americanos. O Rio é uma cidade muito bonita. Sempre gostei do Brasil, o clima quente. Somos latinos, então é algo que nos faz bem”, contou Rommel.

A camisa, segundo Rommel foi comprada em Copacabana, e a ideia pode ser repetida em agosto, caso o impasse continue até lá. “Não vou usar essa, que vai estar velha, mas talvez outra. Esperamos conquistar o público também, pena que hoje não tinha tanta gente”, disse.

A Copa do Mundo de Saltos Ornamentais prossegue até 24 de fevereiro. Neste sábado (20.02), serão realizadas as preliminares e finais do trampolim 3m sincronizado feminino e as preliminares da plataforma 10m sincronizado masculino e da plataforma 10m feminino.

Carol Delmazo, brasil2016.gov.br