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23/11/2015 19h35

Jogos Rio 2016

Para o Brasil, cooperação internacional é a chave para as ações contra o terrorismo nos Jogos Rio 2016

Ministro Ricardo Berzoini e diretor geral da ABIN, Wilson Trezza, ressaltaram essa mensagem na abertura do Seminário Internacional Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil

Nesta segunda-feira (23.11), durante a abertura do Seminário Internacional Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil, que prosseguirá até a sexta-feira (27.11), na sede da Agência Brasileira de Inteligência (ABIN), em Brasília, o ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, e o diretor geral da ABIN, Wilson Roberto Trezza, ressaltaram em seus discursos dois pontos principais. O primeiro é que o Brasil está pronto para tomar todas as medidas para evitar ataques terroristas durante os Jogos Olímpicos e Paralímpicos Rio 2016. O segundo é que, para isso, a cooperação da ABIN com agências de inteligência internacionais é imprescindível.

O evento reúne, além de ministros de estado – o ministro da Defesa, Aldo Rebelo; do Esporte, George Hilton; e da Casa Civil, Jaques Wagner, participam do encerramento, na sexta-feira –, de representantes do Ministério da Justiça e de técnicos da ABIN, convidados como o diretor executivo do Comitê de Direção Executiva Antiterrorista da ONU (CTED), Jean-Paul Laborde, e Hussein Kalout, professor-pesquisador da Universidade de Havard, nos Estados Unidos, que falarão durante o seminário sobre aspectos do terrorismo internacional e assuntos ligados à mídia e a práticas de terrorismo ao redor do mundo.

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Seminário Internacional Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil: discussões ajudarão a ampliar a prevenção a ataques durante os Jogos Rio 2016. Foto: Ivo Lima/ME

“Esse seminário foi organizado antes dos acontecimentos trágicos de Paris, que mais uma vez chocaram todos aqueles que acreditam que a convivência humana possa ser algo mais pacífico e mais democrático do que esses terríveis incidentes demonstram”, ressaltou Ricardo Berzoini.

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“É necessário que, diante de um evento da magnitude das Olimpíadas e também diante da responsabilidade pública do estado brasileiro para além dos Jogos Olímpicos, que a sociedade brasileira, especialmente os agentes do estado brasileiro, civis ou militares, discutam com profundidade como prevenir e como combater de maneira incansável a prática do terrorismo, uma prática que no Brasil tem pouco registro de eventos, mas que, evidentemente, merece toda atenção pela característica da globalização econômica, cultural e social que nós vivemos nesses tempos do século 21”, prosseguiu o ministro.

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O ministro-chefe da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini. Foto: Ivo Lima/ME

Para ele, depois dos últimos episódios terroristas deste mês em Paris e Mali, a atenção ao assunto recrudesceu. “Todo o cuidado é pouco e toda a preparação é pouca. Nesse campo, não há limite para a nossa preocupação e vamos tomar todas as providências ao alcance das autoridades brasileiras, com a responsabilidade de termos cooperação internacional, que é fundamental para tratar desse assunto”, destacou Ricardo Berzoini, que lembrou que a lei que trata de terrorismo no Brasil está em fase final de votação no Congresso Nacional.

14 episódios

O diretor da ABIN fez uma apresentação em que lembrou como as práticas terroristas foram frequentes nos últimos dois anos no planeta. Desde 2013, 14 atentados na Rússia, nos Estados Unidos, na Nigéria, no Quênia, no Paquistão, na Austrália, na França, na Turquia, na Tunísia, no Kuwait, no Líbano e em Mali resultaram em quase 1.110 mortes, sem contar as centenas de feridos.

Wilson Roberto Trezza explicou que a ABIN fez um estudo sobre a sensibilidade das delegações que estarão no Brasil para os Jogos Rio 2016 em relação a alvos de atentados terroristas. Segundo o estudo, Canadá, Estados Unidos, Egito, França, Grã-Bretanha, Irã, Iraque, Israel, Rússia e Síria foram classificados como prioridade “alta” e por isso deverão ter segurança reforçada para suas delegações durante as Olimpíadas e Paralimpíadas no Brasil. Alemanha, Austrália, Dinamarca, Espanha, Holanda, Jordânia e Noruega obtiveram classificação “média” e o Brasil e demais países, a “baixa”.

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O grande número de ataques terroristas nos últimos dois anos forçou uma atenção ainda maior às ações do Brasil para os Jogos Rio 2016. Foto: Luiz Roberto Magalhães/brasil2016.gov.br

Diretor do Departamento de Contraterrorismo da ABIN, Luiz Sallaberry, ressaltou que a maior preocupação do órgão para os Jogos Rio 2016 é com a possível ação dos chamados “lobos solitários”.

“Foi o que aconteceu nos atentados à Maratona de Boston”, declarou Sallaberry. “São pessoas que se encantam pela ideologia dos grupos terroristas e agem em prol desses grupos sem jamais terem sido ligadas diretamente a eles”, explicou.

O diretor geral da ABIN revelou que sua agência não encontrou qualquer indício de que exista uma célula do Estado Islâmico atuando no Brasil e declarou ainda que atualmente a ABIN trabalha em colaboração com mais de 80 serviços de inteligência em todos os continentes. Ele acredita que, devido aos incidentes das últimas semanas, o número deve chegar a 103 serviços de inteligência ou até superar essa contagem até os Jogos Rio 2016.

Ao final, Wilson Trezza foi enfático ao ressaltar o papel da ABIN na prevenção e no combate ao terrorismo no Brasil. “A inteligência é a primeira linha de defesa de todas as nações. Temos um papel desafiador, mas nos consideramos à altura desse desafio”, declarou. “Infelizmente, os acontecimentos das últimas semanas comprovaram a importância desse evento”, encerrou, referindo-se ao seminário em curso em Brasília.

Luiz Roberto Magalhães – brasil2016.gov.br