Você está aqui: Página Inicial / Notícias / Extremo Cross renova a canoagem slalom e tem pretensões olímpicas

Canoagem

26/09/2018 12h33

CANOAGEM SLALOM

Extremo Cross renova a canoagem slalom e tem pretensões olímpicas

Modalidade permite que quatro atletas disputem as descidas simultaneamente em formato de "corrida", atrai jovens e tem brasileira campeã mundial Sub-23

São cerca de 50 segundos de tirar o fôlego. Quatro canoístas despencam de um tablado suspenso, descem as corredeiras disputando cada remada, desviando de obstáculos e com direito a batidas entre os barcos. A missão é cruzar a linha de chegada na frente em uma corrida empolgante. Esse é o K1 Extremo Cross, prova que promete chamar a atenção do público brasileiro durante o Campeonato Mundial de Canoagem Slalom, no Canal Olímpico de Deodoro, no Rio de Janeiro. O evento segue até domingo, 30.09.

Atletas largam juntos de uma plataforma suspensa. Foto: Federação Internacional de Canoagem

A corrida radical é nova na canoagem slalom. Estreou em Mundiais na edição de 2017, na França. É similar às outras provas ao mesclar corredeiras e obstáculos, mas traz uma roupagem diferente. Nas provas convencionais de C1 e K1, os atletas descem sozinhos, brigando contra o tempo para superar os obstáculos. A disputa do K1 Extremo é feita por quatro atletas, lado a lado. Os atletas precisam passar pelas "portas", fazer manobras técnicas e chegar na frente. 

Assim, em geral, no K1 Extremo Cross vence o canoísta que executa a melhor estratégia durante o percurso. O coordenador técnico da Seleção Brasileira, Cássio Petry, explica que a prova é a mais divertida para o público e no meio esportivo é conhecida como combate entre os atletas. "Não é uma prova olímpica, mas está em fase de ser inserida nas próximas edições dos Jogos. É sem dúvida a mais divertida, pois chamamos de combate entre os atletas. Exige preparo físico e técnico para chegar na frente", explicou.

Ana Sátila teve rápida adaptação à categoria. Na estreia da prova em Mundiais em 2017, a brasileira garantiu a medalha de prata na cidade de Pau, na França. Em julho de 2018, ela foi ouro no Mundial Júnior & Sub-23, em Ivrea, na Itália. "É uma modalidade que estreou no circuito internacional há dois anos. Tem tido uma boa resposta do público, porque é uma ação maior, mais emocionante com quatro atletas disputando na mesma hora, com o contato entre os barcos. Acaba sendo mais divertido para quem assiste. Nessa temporada eu e minha irmã (Omira Estácio) decidimos competir algumas provas no circuito internacional para experimentar e gostei dos resultados", disse.

Em entrevista recente, o presidente da Federação Internacional de Canoagem (ICF), José Perurena, disse que o desenvolvimento da disciplina foi sinal de que o esporte está se renovando. "O desafio da canoagem, assim como de outros esportes, é continuar atraindo jovens. A visão de quatro pessoas correndo ao mesmo tempo gera grande apelo e é fundamental para o crescimento do esporte", disse.

Ana Sátila é um dos destaques brasileiros na modalidade. Foto: André Motta/rededoesporte.gov.br

Regras

Primeiro, o atleta disputa uma prova de Sprint para definir o chaveamento das descidas com base nas tomadas de tempo que definem a posição de largada. Em seguida, quatro atletas disputam cada bateria. Os dois primeiros se classificam até chegar à final, em que o vencedor será o mais rápido a cruzar a linha de chegada.

Ao contrário de outras provas, durante a corrida os atletas não são penalizados com dois segundos se tocarem nas portas com o corpo ou equipamentos. Eles podem ser desclassificados se não executarem o rolamento de forma correta, não cruzarem as balizas, não seguirem as orientações de segurança ou saírem do barco.

Futuro olímpico

A proposta da Federação Internacional de Canoagem (ICF) é incluir a corrida radical no programa olímpico nas futuras edições dos Jogos, em 2024, na França, ou 2028, em Los Angeles. A canoagem slalom conta com quatro provas nos Jogos Olímpicos atualmente: C1 masculino, C1 feminino, K1 masculino e K2 feminino.

Mundial 2018

Nas corredeiras de Deodoro, o Brasil terá quatro atletas na prova de Extremo Cross. Ana Sátila, Omira Estácia, Pepê Gonçalves e Fábio Schena encaram as corredeiras artificiais na classificatória marcada para quinta-feira (27.09). Se sobreviverem aos confrontos da fase eliminatória, disputam as finais no domingo (30.09).

O Mundial reúne, ao todo, 300 atletas de 40 países. Além do K1 Extremo Cross, há provas individuais e por equipe de C1 e K1 (canoa e caiaque individuais), tanto feminino quanto masculino. Na dupla, será no C2 (canoa em dupla mista). O evento é o mais importante da modalidade na temporada 2018.

Breno Barros, do Rio de Janeiro - Rededoesporte.gov.br